As cirurgias estéticas continuam a ganhar popularidade, mas uma decisão informada vai muito além do resultado que se vê nas redes sociais. Neste episódio do “Minuto Consumidor”, explicamos o que deve ter em conta antes de avançar, desde a escolha da clínica até à importância de alinhar expectativas com o médico.
A procura por procedimentos estéticos continua elevada em todo o mundo. Segundo o mais recente relatório da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), em 2024 foram realizados cerca de 38 milhões de procedimentos estéticos, um aumento de aproximadamente 8,6% face ao ano anterior.
“A cirurgia às pálpebras é, pela primeira vez, o procedimento cirúrgico mais comum em 2024, substituindo a lipoaspiração”. Em segundo lugar, nas opções de quem opta pela cirurgia estética está a própria lipoaspiração, seguida pelo aumento mamário, correção de cicatrizes e rinoplastia. “Os procedimentos não cirúrgicos mais populares foram a toxina botulínica (mais conhecida por botox), o ácido hialurónico (preenchimento), a depilação, o rejuvenescimento cutâneo não cirúrgico e os peelings químicos”, refere a ISAPS no relatório de 2024, o mais recente disponível.
Esta crescente procura acontece num contexto em que as redes sociais expõem diariamente resultados de cirurgias estéticas. No entanto, os especialistas alertam que as fotografias e os vídeos publicados online nem sempre correspondem às expectativas de cada pessoa.
Para o cirurgião plástico Filipe Magalhães Ramos, da Clínica FMR, as redes sociais devem ser encaradas sobretudo como uma forma de mostrar aquilo que a medicina estética já consegue fazer e não como uma promessa de resultados iguais para todos.
“Têm também um caráter educativo”, afirma. “Não [devem ser vistas] na ótica de ‘vou ficar igual a esta ou aquela [pessoa]’. É o que já é possível fazer”, acrescenta.
Antes de qualquer intervenção, um dos momentos mais importantes é a consulta inicial. É aí que médico e paciente definem objetivos, esclarecem dúvidas e avaliam se aquilo que a pessoa pretende é, de facto, exequível.
Segundo Filipe Magalhães Ramos, já existem tecnologias que ajudam a tornar esse processo mais claro. “A maneira mais fácil que conseguimos alinhar estas expectativas é através da realização, por exemplo, de uma simulação 3D da própria pessoa, ou seja, em que a pessoa consegue ver como vai ficar, em vez de estar a ver as fotografias de como as outras ficaram. Eu acho que isso é bastante importante e é uma coisa que nos tem ajudado muito a alinhar as tais expectativas”.
Na escolha da clínica, o preço também não deve ser o único critério. Para o especialista, é fundamental garantir que existe uma equipa qualificada e acompanhamento ao longo de todo o processo, incluindo o período de recuperação.
“É sobretudo o acompanhamento. É [importante] ter profissionais credenciados, ter a certeza que vão ter um acompanhamento durante todo o processo, nomeadamente enfermagem 24 horas e contactos de toda a equipa”, afirma.
Nem todas as pessoas que procuram uma cirurgia estética reúnem, contudo, as condições para avançar. Em alguns casos, o próprio médico pode considerar que o procedimento não é aconselhável, sobretudo quando identifica expectativas irrealistas ou uma procura pela perfeição.
“Há doentes que nós identificamos que não têm emocionalmente capacidade para suportar uma cirurgia estética. Ou porque estão à procura da perfeição e nós não entregamos perfeição. Nós entregamos uma coisa muito parecida com perfeição, mas não entregamos perfeição”, reforça.
Antes de tomar uma decisão, procure informação sobre a formação e a experiência dos profissionais, esclareça todas as dúvidas durante a consulta e confirme quais os cuidados necessários antes e depois da cirurgia.
O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.
Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.





