Estudo revela elevada adesão aos hábitos de reciclagem e uma perceção positiva do Programa Volta, mas identifica a proximidade, a simplicidade e a comunicação como fatores decisivos para aumentar a participação.
Os portugueses estão comprometidos com a reciclagem e reconhecem o potencial do Programa Volta para promover uma economia mais circular. No entanto, o estudo revela que a adesão ao sistema poderá crescer significativamente se este se tornar mais acessível, mais simples de utilizar e mais presente no dia a dia dos consumidores.
A reciclagem é já um comportamento enraizado: 79,2% dos inquiridos consideram muito importante reciclar embalagens de bebidas e 84,8% afirmam fazê-lo sempre ou frequentemente. Este compromisso reflete-se também na forma como os portugueses olham para o Programa Volta. 94,4% afirmam conhecer a iniciativa e 80,1% consideram que representa uma medida importante para Portugal. Para 86,9%, o Programa contribui para incentivar a reciclagem de embalagens de bebidas, enquanto 79,6% demonstram confiança no correto registo e devolução do valor do depósito.
Os resultados mostram que o Programa já conquistou espaço nos hábitos de muitos consumidores. 40,7% dos participantes afirmam utilizá-lo regularmente e 22,8% já o utilizaram algumas vezes, o que significa que quase dois terços (63,5%) dos inquiridos já recorreram ao sistema. Entre aqueles que ainda não o fazem, o potencial de crescimento é evidente: 16,6% afirmam que ainda não tiveram oportunidade de utilizar o Programa e 12,4% pretendem fazê-lo futuramente.
Apesar desta avaliação globalmente positiva, o estudo identifica oportunidades claras de melhoria. 66,2% dos participantes defendem que o aumento do número de locais de devolução deve ser a principal prioridade do Programa Volta. A simplificação do processo de devolução e de reembolso, a criação de benefícios adicionais e um processo mais rápido surgem igualmente entre as melhorias mais referidas.
Os incentivos financeiros continuam também a desempenhar um papel importante. Quase metade dos inquiridos afirma que utilizaria o Programa com maior frequência caso o valor do depósito fosse superior a 10 cêntimos, demonstrando que existe margem para reforçar a participação através de mecanismos de incentivo.
O estudo revela igualmente que, apesar da elevada notoriedade do Programa, persistem algumas dúvidas sobre o seu funcionamento. Muitos participantes demonstram desconhecimento sobre o destino do valor dos depósitos não reclamados, evidenciando que existe espaço para reforçar a comunicação e esclarecer o funcionamento do sistema. A televisão (69%) e as redes sociais (50,3%) surgem como os principais canais através dos quais os portugueses tomaram conhecimento do Programa, confirmando a importância destes meios na sensibilização do público.
As conclusões apontam ainda para uma expectativa clara: os consumidores querem um Programa mais próximo das suas rotinas. O reforço da rede de pontos de devolução, o alargamento do sistema a mais tipos de embalagens, a simplificação da experiência de utilização e do reembolso, incluindo soluções como o MB Way, surgem de forma consistente entre as principais sugestões identificadas no estudo.
Os resultados mostram ainda que os portugueses encaram o Programa Volta como uma responsabilidade coletiva. O ambiente é apontado como o principal beneficiário da iniciativa por uma parte significativa dos participantes, enquanto muitos consideram que todos (consumidores, marcas, retalhistas e entidades gestoras) têm um papel determinante para o sucesso do sistema.
No seu conjunto, o estudo demonstra que a vontade de reciclar existe e que os portugueses reconhecem o valor do Programa Volta. O desafio passa agora por transformar essa predisposição em maior participação, aproximando o sistema das rotinas dos consumidores, tornando-o mais acessível e reforçando a informação sobre o seu funcionamento.




