A sua casa está preparada para envelhecer consigo?

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A casa onde vivemos durante anos pode deixar de responder da mesma forma às nossas necessidades. Escadas, casas de banho ou zonas de circulação que nunca foram um problema podem tornar-se mais difíceis de utilizar com o passar do tempo. Neste episódio do Minuto Consumidor, explicamos que sinais devem servir de alerta e que alterações podem ajudar a manter a autonomia e a segurança em casa

Portugal continua a envelhecer. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025 existiam 188,8 idosos por cada 100 jovens, acima dos 178,3 registados em 2021, uma evolução que evidencia o aumento do peso da população mais velha. Para Isabel Costa, diretora-geral da Stannah Portugal, empresa especializada em soluções de mobilidade, esta realidade traz também desafios para as habitações.

“O principal desafio da mobilidade é efetivamente criar casas, habitações mais inclusivas, livres de barreiras arquitetónicas que permitam às pessoas viver mais tempo com conforto, segurança e qualidade de vida nas suas casas”, afirma.

As quedas são um dos riscos a ter em conta. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), em 2023 foram registados 40.842 episódios de quedas entre pessoas com 65 ou mais anos e cerca de dois terços aconteceram em casa. Por isso, é importante estar atento aos primeiros sinais de dificuldade no dia a dia. “Em primeiro lugar, é importante perceber quais são os obstáculos. Se subir as escadas começa a ser uma dificuldade, se a banheira na casa de banho começa a ser um risco no momento de um banho”, exemplifica Isabel Costa.

Nem todas as adaptações implicam grandes obras. “Podemos começar por iluminar melhor as nossas casas, poder retirar, remover a banheira e colocar uma cabine de duche acessível, instalar um corrimão na escada para apoiar a mobilidade”, recomenda a responsável. A Direção-Geral da Saúde e o INSA aconselham ainda, para prevenir quedas em casa, a não deixar fios soltos no chão, evitar tapetes que possam escorregar, garantir pisos antiderrapantes e tornar os degraus das escadas mais visíveis.

Quando estas pequenas alterações deixam de ser suficientes, pode ser necessário avaliar outras soluções de apoio à mobilidade, sobretudo perante dificuldades em vencer escadas ou desníveis. Isabel Costa lembra que existem hoje diferentes alternativas e que a escolha deve partir, antes de mais, do obstáculo concreto que se pretende resolver.

Mas quando deve uma família começar a pensar nestas adaptações? “O mais cedo possível e, sobretudo, pensar a longo prazo. Porque quando pensamos em adquirir uma casa ou remodelar uma casa, temos que nos lembrar que essa casa é um investimento para a vida e vai-nos acompanhar durante décadas”, defende Isabel Costa. Antecipar estas necessidades permite ir fazendo alterações à medida que são necessárias, em vez de esperar que uma dificuldade de mobilidade obrigue a uma mudança urgente.

A adaptação da casa não tem, por isso, de acontecer de uma só vez. Pode começar por observar os percursos feitos diariamente, identificar os locais onde existe maior dificuldade e perceber que alterações fazem sentido para quem vive na habitação. Como resume Isabel Costa, o objetivo é preservar “independência, autonomia, conforto” e permitir que as pessoas continuem a viver na sua casa durante mais tempo.

O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.

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