Um seguro automóvel pode parecer simples de contratar, mas há diferenças importantes que só se revelam quando surge um acidente, uma avaria ou outro imprevisto. Neste episódio do Minuto Consumidor, explicamos o que deve ter em conta antes de contratar ou renovar a sua apólice
Na hora de escolher um seguro automóvel, os consumidores tendem a olhar sobretudo para o preço, uma decisão que, segundo Vasco Almeida de Carvalho, responsável pelo Departamento de Gestão de Ecossistemas Automóvel da Fidelidade, pode revelar-se pouco vantajosa quando surge um problema. “É muito importante conhecer o que é que está incluído no seguro, porque na realidade as pessoas só percebem o valor deste no dia em que têm um sinistro e aí sim lembram-se que afinal o preço não compensa”, alerta.
“As pessoas têm a ideia de que o preço só diz respeito a como foi o meu comportamento no passado. Ou seja, uma pessoa acha que nunca teve um acidente e que, portanto, o seu seguro não vai aumentar de preço, o que não é verdade, porque o seguro funciona numa lógica de mutualismo, ou seja, o risco é dividido entre todos os tomadores de seguro dessa seguradora”, explica.
Além disso, importa referir que fatores externos também podem influenciar os preços. Vasco Almeida de Carvalho aponta, entre outros, o contexto de guerra, as tempestades e os problemas nas cadeias de abastecimento, que contribuem para aumentar os custos das reparações e da mão de obra e, consequentemente, pressionar o preço dos seguros.
O que está incluído no meu seguro?
Para perceber o que está incluído no seu seguro, convém começar por distinguir os diferentes tipos de proteção. Segundo a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), o seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel cobre a responsabilidade por danos causados a terceiros. A partir daí, podem ser contratadas outras coberturas, nomeadamente para proteger o próprio veículo.
Muitas vezes fala-se em “seguro contra todos os riscos”, mas isso não significa que todas as situações estejam cobertas. Como explica Vasco Almeida de Carvalho, esta expressão é normalmente utilizada para designar os seguros com cobertura de danos próprios. Por isso, antes de contratar, convém confirmar exatamente o que está incluído na apólice, como as coberturas para choque, colisão e capotamento, furto ou roubo, fenómenos da natureza ou atos de vandalismo.
Outro elemento a verificar é a franquia. De acordo com a ASF, corresponde à parte do prejuízo que fica a cargo do tomador do seguro ou segurado quando ocorre um sinistro. Pode ser definida através de um valor fixo ou de uma percentagem e deve constar das condições particulares da apólice. Uma franquia mais elevada pode reduzir o preço do seguro, mas aumenta a parte do prejuízo que poderá ter de suportar.
A escolha de um seguro também não termina nas coberturas e no preço. Em caso de avaria ou acidente, a rapidez e a qualidade da resposta podem fazer a diferença. Vasco Almeida de Carvalho dá o exemplo da assistência em viagem. O responsável aconselha ainda a perceber que apoio é prestado quando o veículo precisa de ser reparado e que rede de oficinas está disponível.
O momento da renovação pode ser uma oportunidade para voltar a olhar para a apólice. As necessidades podem mudar ao longo do tempo e Vasco Almeida de Carvalho aponta situações como uma mudança de profissão ou de região de residência, que podem justificar uma nova avaliação das necessidades de proteção.
Antes de contratar ou renovar, confirme por isso quais são os riscos cobertos, as exclusões, o valor da franquia e os limites de indemnização. Segundo a ASF, estas informações devem constar da documentação contratual e ajudam o consumidor a perceber, antes de precisar do seguro, qual é efetivamente a proteção que está a contratar.
O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.
Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.





