Entre a conveniência dos serviços digitais e a proteção da privacidade, muitos consumidores continuam a aceitar a recolha de dados sem perceber exatamente o que autorizam. Neste episódio do Minuto Consumidor, explicamos o que são os cookies, para que servem e que cuidados deve ter antes de carregar em “aceitar tudo”
Redes sociais, serviços de email, motores de pesquisa e aplicações fazem parte da rotina diária dos consumidores. Muitos não exigem um pagamento direto, mas isso não significa que não exista uma contrapartida. Em alguns modelos de negócio, a informação sobre os utilizadores tem valor comercial e pode ser usada para conhecer interesses, personalizar conteúdos e selecionar publicidade.
Um estudo da ConsumerChoice, que contou com 711 respostas, mostra que 88,3% dos consumidores sabem que os seus dados pessoais podem ser utilizados para fins comerciais. Além disso, 82% já repararam que, depois de pesquisarem ou demonstrarem interesse por um produto, começaram a receber publicidade relacionada. Apesar desta consciência, 41,4% continuam a considerar que os serviços digitais gratuitos são realmente gratuitos e apenas 16,2% dizem conhecer muito bem a forma como as empresas utilizam os seus dados.
Uma das formas de registar informação sobre a utilização de um site é através dos chamados cookies. Segundo a Comissão Europeia, estamos a falar de “um pequeno ficheiro de texto que um site armazena no seu computador ou dispositivo móvel” quando é visitado por alguém.
Alguns permitem manter uma sessão iniciada, guardar o idioma escolhido ou conservar produtos num carrinho de compras. Outros podem ajudar a medir a utilização das páginas, registar preferências ou acompanhar a navegação para criar perfis de interesses e apresentar publicidade personalizada. Os cookies são, contudo, apenas uma das tecnologias que podem ser utilizadas para recolher informação sobre a atividade online.
Nem todos os cookies estão sujeitos às mesmas regras. Os estritamente necessários para prestar um serviço solicitado pelo utilizador, como determinados cookies de autenticação ou de carrinho de compras, podem funcionar sem consentimento. Já os utilizados para outras finalidades, como acompanhamento da navegação ou publicidade comportamental, exigem, em regra, uma autorização prévia.
Carregar em “aceitar tudo” não é, por isso, obrigatório. Quando o tratamento de dados depende do consentimento, este deve ser livre, específico, informado e inequívoco. O utilizador deve saber que informação vai ser tratada, para que finalidade e se pode ser comunicada a outras entidades. Também deve poder escolher separadamente entre diferentes utilizações e retirar posteriormente o consentimento.
Antes de aceitar, procure opções como “rejeitar os não necessários” ou “gerir preferências”. Confirme se existem categorias relacionadas com análise, personalização, marketing ou publicidade e autorize apenas as que considerar necessárias. Também pode consultar a política de cookies e alterar mais tarde as escolhas feitas no site ou nas definições do navegador.
Segundo a ConsumerChoice, quase 85% dos participantes no estudo dizem estar bastante ou muito preocupados com a utilização dos seus dados pelas empresas e 68,4% consideram que as mesmas “explicam pouco ou nada claramente a forma como utilizam os dados pessoais, evidenciando uma perceção de falta de informação e comunicação por parte das organizações”. Ainda assim, apenas 22,5% dizem estar dispostos a pagar uma mensalidade para utilizar redes sociais sem recolha dos seus dados pessoais.
O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.
Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.





