Comprar casa implica assumir um compromisso financeiro que pode durar várias décadas. Antes de avançar, não basta confirmar se a primeira prestação cabe no orçamento: é preciso perceber como pode evoluir, que despesas estão associadas e se a família terá margem para enfrentar mudanças no futuro. Neste episódio do Minuto Consumidor, explicamos os principais fatores a avaliar antes de contratar um crédito à habitação.
Convém distinguir a prestação do empréstimo do encargo mensal total. A prestação corresponde ao pagamento de capital e juros, mas o consumidor pode suportar outros produtos associados. “As pessoas acham que se não pediram mais dinheiro, a prestação fica sempre igual. Mas não é bem assim”, começa por contextualizar Guilherme Henriques, diretor de Produto da Maxfinance Portugal. “Existem, num processo de crédito, vários fatores que podem aumentar a prestação. Muitos deles estão associados a seguros de vida, multirriscos e a outras componentes do crédito. O mais importante é, na altura da decisão, estar bem informado”, conclui.
Nos contratos com taxa variável, a taxa de juro resulta, habitualmente, da soma da Euribor (a taxa de referência usada nos empréstimos entre bancos na zona euro) com o spread, que corresponde à margem cobrada pelo banco. A Euribor pode subir ou descer e é revista de acordo com o prazo contratado (normalmente a três, seis ou doze meses). Se aumentar na data da revisão, a prestação também sobe, mesmo que o cliente não tenha pedido mais dinheiro. Na taxa fixa, a prestação mantém-se durante o período acordado, na taxa mista, existe uma primeira fase fixa, seguida de uma fase variável.
Algumas propostas incluem produtos facultativos, como seguros ou cartões de crédito/débito, em troca de uma redução do spread. Se o consumidor deixar de manter esses produtos, o spread pode aumentar quando essa consequência estiver prevista no contrato. A Ficha de Informação Normalizada Europeia, conhecida como FINE, deve identificar os produtos associados e explicar o impacto que podem ter na prestação e no custo do empréstimo.
Por isso, não se deve comparar propostas apenas pelo valor da prestação. A FINE reúne informação sobre o montante, o prazo, o tipo de taxa e os seguros associados. Inclui também a TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global), que mostra o custo anual do crédito já com juros, comissões, impostos e outros encargos, e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), que indica quanto o consumidor terá pago no total no final do empréstimo. “Existem alguns fatores críticos num processo de crédito. Têm a ver com o montante, com o prazo, mas também com a taxa de esforço e com aquilo que nós conseguimos pagar”, sublinha Guilherme Henriques.
O prazo também merece atenção. Uma prestação mais baixa pode resultar de um empréstimo mais longo e não significa, necessariamente, um crédito mais barato. Como recorda o responsável, “o mais importante, no fundo, não é quanto nós vamos pagar no próximo mês, porque num processo de crédito estamos a falar sempre de períodos grandes, de 15, 20, 25 anos”. Durante esse tempo, podem mudar os rendimentos, o emprego e as despesas da família. “Num processo de crédito são vários anos e nestes vários anos a nossa vida muda”, afirma Guilherme Henriques.
Antes de contratar, é aconselhável testar o orçamento perante diferentes cenários, incluindo uma eventual subida da prestação ou uma quebra de rendimentos, e conservar uma margem para imprevistos.
O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.
Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.





