Como poupar quando o orçamento aperta?

2-3 minutos

Com uma parte do rendimento destinada todos os meses à habitação, energia, alimentação e outros encargos, encontrar margem para poupar pode exigir uma revisão mais atenta do orçamento. Neste episódio do Minuto Consumidor, olhamos para as despesas que podem ser reduzidas ou renegociadas e para algumas estratégias apontadas por especialistas para conseguir poupar com mais consistência.

No segundo trimestre de 2026, a taxa de poupança das famílias ficou nos 12,1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística, menos 0,3 pontos percentuais do que no trimestre anterior. “As despesas aumentaram mais rapidamente do que o rendimento disponível. Normalmente, quando isto acontece, a poupança é quem sofre em primeiro lugar e foi o que aconteceu agora”, justifica Luís Magro, responsável de Marketing, Produtos de Poupança e Investimento do Millennium BCP.

Para perceber onde pode existir margem no orçamento, Luís Magro sugere dividir as despesas em três grupos. No primeiro ficam os encargos que não podem ser eliminados, mas que podem ser reduzidos, como o desperdício alimentar ou o consumo de energia. No segundo, entram despesas que podem ser renegociadas, como o crédito à habitação ou o crédito pessoal. E, por último, ficam os gastos menos essenciais, como as “saídas à noite” ou as “compras por impulso”, onde pode haver mais margem para cortar.

No caso do crédito à habitação, o responsável lembra que a renegociação pode envolver diferentes condições do contrato. “Não é só o spread do crédito à habitação que podemos negociar. Podemos, por exemplo, negociar o prazo, podemos negociar se é taxa fixa ou taxa variável”, lembra Luís Magro, acrescentando que mexer no prazo do empréstimo pode fazer subir ou descer o valor da prestação mensal.

O especialista chama ainda a atenção para os pacotes de produtos e serviços disponibilizados pelos bancos, que podem concentrar várias comissões num único valor mensal. Nestes casos, recomenda fazer as contas e comparar esse custo com o que seria pago pelos serviços em separado, para perceber se existe realmente uma poupança.

“Poupar deve ser considerado como uma despesa fixa que nós temos todos os meses. Antes de começarmos a usar o nosso ordenado, há um valor que nós temos que pôr de parte”, frisa o responsável do Millennium BCP.

Mais do que esperar pelo que sobra no final do mês, Luís Magro defende que a poupança deve ser feita logo quando o rendimento entra e, sempre que possível, de forma regular. O especialista recomenda também que esse dinheiro tenha um objetivo concreto, “seja se é para a educação dos filhos, seja para a reforma” ou para uma compra futura.

“Nós poupamos muito mais facilmente se tivermos objetivos concretos do que for simplesmente esperar pelo final do mês, o que me sobrar eu meto à parte”, afirma. Outra das recomendações passa pela criação de um fundo de emergência para fazer face a despesas inesperadas ou a uma eventual quebra de rendimento.

O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.

Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.

Últimas Tendências