Consumo: como reagem os compradores perante escolhas difíceis?

2-3 minutos

Escolher entre várias opções nem sempre se torna mais simples quando há mais informação disponível. Neste episódio do Minuto Consumidor, olhamos para o que mais pesa quando é preciso tomar uma decisão, de que forma o medo de errar pode atrasar uma escolha e como algumas técnicas de venda procuram acelerar esse processo

Tomar uma decisão importante raramente é imediato. Um estudo da ConsumerChoice, realizado através de um questionário online a 701 participantes, revela que apenas 11% dizem decidir rapidamente. Entre os restantes, 30% precisam de algumas horas, 29% de um ou dois dias e 26% admitem demorar vários dias.

Mais do que o tempo necessário para escolher, o estudo procurou perceber o que está por trás dessa hesitação. O medo de se arrepender surge no topo da lista, referido por 64% dos participantes, seguido pelo receio de errar, com 47%. A falta de informação é apontada por 37% e os custos envolvidos por 32%. O excesso de opções, por sua vez, é mencionado por 17%.

Ter mais informação disponível também não significa necessariamente que seja mais fácil decidir. A OCDE lembra que os consumidores têm limites na quantidade de informação que conseguem processar e que, perante produtos complexos ou muitas alternativas, podem ter dificuldade em comparar todas as opções. Em alguns casos, acabam por simplificar a escolha ou por não decidir de imediato.

As decisões que mais dúvidas levantam também variam consoante o tema. No estudo da ConsumerChoice, 50% apontam os investimentos como uma das áreas mais difíceis, 48% referem decisões relacionadas com a carreira e 44% os relacionamentos. Habitação e compras aparecem mais abaixo, com 24% e 19%, respetivamente.

A hesitação pode também significar deixar algumas oportunidades para trás. Cerca de 87% dos participantes dizem já ter deixado passar uma oportunidade por receio de arriscar, embora 95% afirmem também já ter avançado com uma decisão importante apesar das dúvidas.

Procurar outras opiniões é outra parte deste processo. Quase todos os participantes admitem fazê-lo pelo menos ocasionalmente antes de uma decisão importante, mas 75% dizem gostar de ouvir diferentes perspetivas mantendo a decisão final nas próprias mãos.

Quando a escolha envolve um produto ou serviço, é sobretudo a experiência pessoal que pesa. É referida por 70% dos participantes, à frente das recomendações de familiares, das avaliações de outros consumidores e da opinião de especialistas. A publicidade é mencionada por apenas 6% e os influenciadores por 4%.

Mas se hesitar demasiado pode dificultar uma escolha, decidir sob pressão também pode ser um problema. Em março de 2026, uma verificação coordenada pela Comissão Europeia encontrou técnicas de venda sob pressão em 18% dos comerciantes analisados, incluindo mensagens de escassez e contadores de tempo. Mais de metade desses casos levantou dúvidas por poder induzir o consumidor em erro.

Perante uma escolha importante, comparar as condições e identificar o que realmente pesa na decisão pode ajudar a reduzir a complexidade. E, nas compras, a Comissão Europeia recomenda especial atenção a mensagens que criam urgência artificial, sobretudo quando sugerem que resta pouco tempo ou que um produto está prestes a esgotar.

O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias. Esta iniciativa tem o apoio da Escolha do Consumidor.

Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.

Últimas Tendências