• A maior parte dos portugueses inquiridos (53%) já tem produtos em mente para comprar durante estes dois momentos, mas o desconto é decisivo para avançar;
• 77% já queria um produto ou tinha essa necessidade antes de ver a promoção;
• Apenas 11% acrescentaria produtos não planeados para beneficiar de um desconto.
A Black Friday, que se assinala a 27 de novembro, e a Cyber Monday, a 30 de novembro, estão cada vez mais associadas ao planeamento das compras e à expectativa de poupança. Mas será que os consumidores compram porque encontram um desconto ou aproveitam o desconto para comprar algo que já queriam? Um novo estudodesenvolvido pela ConsumerChoice sobre o comportamento dos portugueses, durante estes dois dias, mostra que a intenção de compra tende a surgir antes da promoção, sendo o desconto o fator que leva muitos dos inquiridos a avançar naquele momento.
Os dois eventos são familiares para os participantes, com a Black Friday a destacar-se como a mais conhecida face à Cyber Monday, que é mais dedicada às promoções online em tecnologia, eletrónica, gaming e eletrodomésticos. Para os entrevistados, esta última representa uma oportunidade adicional para procurar descontos: 39% valoriza a possibilidade de comprar algo que lhes escapou na primeira ocasião e 33% espera encontrar promoções diferentes entre os dois eventos.
Para além disso, 19% considera que esta extensão lhes dá mais tempo para decidir. A preferência por acompanhar as duas oportunidades de descontos confirma esta dinâmica, com 42% dos inquiridos a indicar que vai seguir tanto a Black Friday como a Cyber Monday.
O planeamento assume assim um papel central na preparação para estes eventos. A maioria dos consumidores (54%) já tem algo em mente para comprar e 27% sabe o que quer, embora ainda não tenha escolhido um produto específico. Por outro lado,26% já identificou o que pretende adquirir.
Esta intenção traduz-se numa estratégia de espera. Entre os inquiridos com compras planeadas, 91% adia pelo menos algumas aquisições à espera da Black Friday ou da Cyber Monday. Se não encontrasse descontos, 62% afirma que adiaria a compra, enquanto 16% compraria na mesma.
A expectativa de poupança é, portanto, determinante para o momento da aquisição. Mais do que comprar por impulso ou descobrir novos produtos, muitos consumidores procuram uma oportunidade para adquirir algo que já desejavam ou de que necessitavam, mas cujo preço representava um obstáculo ao orçamento.
Esta importância do desconto também se reflete no comportamento após o fim das campanhas. 69% dos participantes revela que aguardaria se o preço de um produto se mantivesse igual na semana seguinte a estas datas. Os dados sugerem que a promoção não cria necessariamente a vontade de comprar, mas pode determinar quando essa compra acontece.
A relação entre intenção e promoção torna-se ainda mais clara quando os entrevistadossão questionados sobre a sua compra mais recente. 77% já queria o produto ou tinha necessidade dele antes de ver a promoção. Ou seja, o interesse já existia e o desconto surgiu como uma oportunidade para concretizar a aquisição.
Mas até que ponto uma promoção leva os consumidores a gastar mais? Para perceber esta dinâmica, o estudo apresentou uma situação hipotética em que aproveitar umapromoção implicava aumentar o valor de uma compra de 80€ para 100€. Perante este cenário, 41% manteria a compra inicial e 48% acrescentaria apenas produtos que já tencionava comprar. Somente 11% procuraria outros artigos sem ter compras adicionais previstas. Grande parte demonstra, assim, um comportamento orientado por necessidades ou intenções anteriores, mesmo quando existe um incentivo para aumentar a despesa.
A perceção de poupança pode, contudo, ser mais complexa do que a diferença entre o preço original e o preço promocional. Quando confrontados com um produto não planeado, comprado por 50€ e anunciado como tendo custado 100€, 47% refere que sentiu simultaneamente ter poupado 50€ e ter gasto 50€ em algo que não contava.
Este resultado evidencia uma contradição no comportamento de consumo: um desconto pode ser entendido como uma poupança mesmo quando conduz a uma despesa que não estava antes prevista. Ainda que a redução do preço seja real face ao valor anunciado, isso não significa que o consumidor tenha gasto menos no conjunto das suas compras.




